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Poesia

Ainda bem que foi sonho

09 Fevereiro 2018 08:00:00

Poesia de Arnaldo Estevam


Eu sonhei que fui um baile

No salão do Seu Miranda

Me disseram que nos Sábados

O povo para lá se manda

Na sala o povo empilhava

As mães cuidavam das filhas

Sentadas lá na varanda

Estava como eu queria

Vi na hora que cheguei

Apeei do meu cavalo.

E no salão adentrei

Um Floreio Caipira

Já com uma moça na mira

Para dançar convidei

Depois da primeira volta

Fui encostando a barriga

A moça falou pra mim

Não faz assim que a mãe briga

Eu começando a gostar

A velha gritou de lá

Cria modo Rapariga!

Na maior animação

Dançando continuei

A moça se esquivando

E mesmo assim não parei

Eu ai na maior festa

Levei um tapa na testa

De onde veio? Não sei!

Para sair da encrenca

Eu dei um tiro no forro

Só se viu gente correndo

Mulher pedindo socorro

Pessoas, desesperadas

Deu até gente enfiada

Lá na casa do cachorro

Neste momento o gaiteiro

Tocava um bilú-bilú

Jogou a gaita no canto

Pra livrar do sururu

Lá de dentro eu escutava

Alguém longe que gritava

Tem caroço no angu!

Eu bastante descarado

Sai procurando a moça

Vi que estava na cozinha

Na pia lavando a louça

Nisto a velha se esquenta

Pegou o pau da polenta

E me disse - Agora ouça!

Foi me dizendo safado

Mal educado sacana!

Numa casa de família

Dando uma de bacana

O melhor é te sumir

Tais pensando que aqui

É casa da mãe Joana?

Eu ali naquele apuro

Me sentindo desgraçado

A velha não desistia

Vindo com pau pro meu lado

Na cozinha a confusão

Enquanto lá no salão

O baile tava formado

Um cara me cutucou

E me chamou para um lado

Me disse vai te mandando

Miranda foi avisado!

Me joguei na escuridão

E naquela confusão

Trouxe o cavalo trocado.

Eu não lembro de ter visto

Na vida tanto abandono

Me tranquei lá no meu quarto

Passei a noite sem sono

Procurando eu encontrei

Contei o caso e entreguei

O cavalo lá pro dono

A poeira já mais baixa

Eu um pouco aliviado

Fui indo lá pro Miranda

Mas bastante envergonhado

O meu cavalo encontrei

Nesta hora me acordei

No travesseiro abraçado.

Arnaldo Estevam

Sombrio - SC.


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