Leandro Rodrigues

Garoto da região assina contrato com o Juventude

01 Junho 2018 08:00:00

Garoto da região assina contrato com o Juventude

Nossa região de tempos em tempos nos surpreende mostrando garotos qualificados que vão surgindo e sendo resgatados pelas grandes equipes. Esse é um papel que a escola do Grêmio em Sombrio vem fazendo muito bem. A escola hoje já tem três alunos em avaliação na equipe oficial em Porto Alegre e três estão para ir em junho, além dos que já passaram por lá.

Quem iria também para Porto Alegre era o Davi Brugnera, filho de Raquel Brugnera, porém uns dias antes, passou pelo teste do Juventude e acabou assinando contrato com a equipe. Eu conversei com a mãe do garoto e achei interessante registrar esse bate-papo de alguém orgulhosa de ver seu filho realizando o sonho. Acompanhe:

Leandro Rodrigues: Você pode contar para a gente como foi essa oportunidade que seu filho recebeu?

Raquel: O Davi fez uma peneira em Torres e foi o único da região que passou. Foi chamado na semana seguinte para ficar no clube por uma semana. Foi liberado para voltar para casa e retornar para ficar mais uma semana. Quando voltou, treinou na segunda-feira e no final do primeiro treino o coordenador me avisou que o Juventude iria ficar com o menino. Fiz os papéis na terça e na quarta-feira assinei a documentação. Da peneira até a assinatura do contrato passou um mês apenas. Como o Davi jogava na escolinha do Grêmio de Sombrio, ele passou na avaliação do Grêmio e deveria se apresentar no CT de Eldorado dia 04 de junho para ficar 10 dias em comparação com os atletas que o Grêmio já dispõe, porém, a oportunidade do Juventude veio antes, dia 21 de maio. Eles decidiram ficar com o Davi. Não tivemos dúvida em abraçar essa oportunidade dada pelo clube Juventude, um clube formador com categoria "A" no ranking dos clubes que formam atletas, poucos clubes alcançam essa categoria na avaliação. Hoje Davi tem um contrato de três anos para ser formado como um atleta profissional.

LR: Como você, como mãe, está se sentindo agora?

Raquel: Estou muito feliz! Sei que é só o primeiro passo de um caminho bem difícil, mas reconheço o tamanho dessa conquista! As coisas acontecem nas bases do futebol, são uma espécie de celeiros onde estão sendo gerados os novos craques, todos os grandes clubes tem e existem campeonatos paralelos ao profissional, mas tão importante quanto. Existe até convocados para a seleção brasileira das categorias de base, já é um ensaio para a vida profissional, digamos assim. Mas também tem a pressão, a cobrança, os cortes nas listas de viagem, a expectativa de jogar uma partida ou não, enfim... A base reflete o dia-a-dia dos profissionais, desde a alimentação até os treinos. Os meninos vão sentindo o peso que é representar um clube e vão ganhando segurança e atitude.

LR: Esse sonho do Davi é uma busca de agora ou ele já almejava e treinava para isto?

Raquel: Davi veio do futsal onde joga desde os cinco anos. Ganhava os campeonatos de futebol de salão na cidade onde morávamos, Frederico Westphalen. Com 12 foi chamado para jogar o "Guri Bom de Bola", foi visto por um olheiro que o indicou para jogar com a escolinha do professor Odair Mosselim, de Erechim, em que ficou um mês e jogou a Copa Tricolor do Grêmio. Alugamos um apartamento em Erechim e fui ficar com ele durante um mês. Depois disso nos mudamos para Torres. Aqui ele ficou sem escolinha e treinava todos os dias com o irmão dele, o Arthur, nas praças e campos da cidade. Treinou muito sozinho com o irmão e foi jogar a Copa Tricolor do Grêmio de novo, foi campeão dessa Copa lá em Porto Alegre no início desse ano. Então conhecemos a escolinha do Grêmio de Sombrio e ele iniciou as atividades. Os professores organizaram os saberes do Davi que até naquele momento misturava o futsal e o campo. O Élcio, o Rocha, o Diego e o Pacheco foram fundamentais para lapidar o Davi.

Leandro: E a saudade?

Raquel: Tô fazendo de conta que tá tudo ótimo, mas quando fui limpar o quarto vazio chorei muito... quando tudo se acalma e você sente que ele não vai mais voltar a morar contigo, dá um nó por dentro. Mistura tudo... Mas o orgulho e a felicidade é maior, a saudade eu deixo pra momentos íntimos, mãe é sempre assim...

LR: Como mãe, que frase você deixaria para outras mulheres que tem seus filhos com esse sonho?

Raquel: Persistência e rigorosidade metódica! Mantenha o menino no método de treino, alimentação, tem que correr nos dias que não tem escolinha porque quando a porta abre tem que estar pronto pra entrar! Tem que estar forte, ágil, com fôlego pra aguentar os treinos de avaliação que são muito pesados e aí a maioria nem passa. Já ouvi pais da base falando de meninos que chegaram nessa fase de treinar diante dos coordenadores da base, mas não tiveram fôlego pra mostrar o talento que tem em campo, então o resumo é esse: manter o menino pronto mesmo quando as portas se fecham. Sei que a tendência é a gente relaxar e até desistir, mas é aí que se separam "os homens dos meninos" e nós familiares é quem devemos manter o filho no foco, depois os treinadores fazem isso com os métodos deles.


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