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Crônica

A ira dos deuses

23 Março 2018 08:00:00

Por Luiz Llantada

  Divirto-me muito com as explicações mais simples ou mais excêntricas que ouço a respeito dos fenômenos climáticos que acontecem pelo mundo afora. Lembro-me quê, nos primórdios da civilização, quando o homem ainda não tinha conhecimento científico nenhum para entender as coisas. Assim, procurava justificar os fenômenos naturais, bons ou ruins, usando as ferramentas que possuía; misticismo, feitiçaria, magia e divindades exóticas. Muitas vezes, por causa de um raio, uma estiagem, uma enchente, uma chuva de granizo, uma peste qualquer, enfim, sacrificava animais ou seres humanos, para aplacar a "ira dos deuses".  

                    Qualquer coisa podia ser um "deus"; o sol, a lua, um animal, uma pedra, ou até mesmo um ser humano, como no caso dos faraós. O primeiro povo que trouxe a idéia de um deus abstrato foi o hebreu. Depois vieram os cristãos e os muçulmanos com o seu deus universal. Mesmo estas religiões, mais evoluídas, e com uma doutrina revestida de certa coerência, continuaram com a ideia de que os fenômenos climáticos representam o "castigo de deus" para com os homens que se comportam mal (vide Sodoma e Gomorra e Apocalipse). Eu que não sou louco de duvidar, pois estou vivo e ainda quero tomar muito vinho, comer picanha e torcer pelo Grêmio.

   Felizmente os sacrifícios humanos terminaram, em troca de rituais religiosos e orações, os quais, se não funcionam para impedir as tragédias, com certeza, servem para confortar as criaturas. A religião é importante nas nossas vidas, pois ela é o recurso extremo. Para o bem da humanidade, porém, surgiram os espíritos iluminados, como os filósofos gregos, depois os humanistas, considerando o homem como prioridade; por fim, os iluministas, defendendo o uso da razão e da experiência científica como forma de explicar o explicável e pesquisar o inexplicável.

  Eu hoje vejo pessoas apavoradas com tsunamis, terremotos, furacões, chuvas, granizos, secas, rompimento de barragens, ventos e o caralho. Buscam e apresentam justificativas de ordem divina, as mais estapafúrdias que se possa imaginar. Esquecem de olhar o mundo em que vivemos com olhar científico. O Universo é assim; está em constante movimento, mutação e expansão.

                     A Terra é um minúsculo grãozinho de areia que flutua no Cosmos, nela vive um vermezinho insignificante, que rasteja em seu solo, que é o homem, também está sempre em movimento e mudanças físicas, sujeito aos mais imprevisíveis, inimagináveis e terríveis fenômenos. É assim, porque é assim. E ninguém pode explicar, nem impedir certos acontecimentos. O máximo que podemos fazer é tomarmos algumas precauções e atitudes que amenizem os danos. Claro que se pode rezar, pois, se não ajudar, também não atrapalha. Mas sempre estaremos à mercê do acaso. De qualquer forma, senão morrermos disso, morreremos por outro motivo.


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