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Luiz Llantada

Crônica

02 Fevereiro 2018 08:00:00

Crônica por Luiz Llantada

Instinto sexual

  Eu morro de inveja de quem tem explicações simples para coisas complexas. Eu acho tão bonitinho alguém dizer: "tudo é obra de Deus". Ou, então, simplesmente: "tudo começou com uma explosão havida dentro de um imenso vazio". Falam e se vão. Uns, com seus livros e símbolos sagrados, voltam para suas igrejas e templos. Outros, com seus mapas astronômicos e fórmulas científicas, para seus laboratórios. E me deixam ali, parado, qual um boi na frente de um palácio. Eu acho que tem mais coisas aí nesse angu de caroço.

  Para não me alongar demais, atenho-me apenas ao ser humano. É claro que o cara que bolou tudo isso elegeu o homem como o principal animal para viver na Terra, dentro do Universo infinito. Deve ter sido difícil juntar trilhões de células e outros micro-organismos, transformando-os em sangue, carne, músculos, nervos, ossos e outros órgãos. Depois reuni-los para construir a criatura humana. Ou seja, eu e tu. E aí fazê-la andar e, por fim, colocar nela inteligência.

  Uma criatura feita com tanto zelo deveria durar para sempre. Mas aí seria imortal e iria fazer concorrência com o seu criador. Este, então, pensou: vou dar-lhe um prazo de validade, depois eu o elimino quando quiser. Como alguém deveria substituí-lo, a saída foi fazer um homem e uma mulher para que ambos, através do ato sexual, se reproduzissem.

Mas se eles não se interessassem em procriar? Como o criador era muito inteligente, acrescentou na criatura o "instinto sexual". Algo muito intenso, quase incontrolável. É o que chamamos de "tesão". E fez com que no homem fosse mais forte. De forma que, quando a tesão viesse o homem perderia a cabeça, deixaria de fazer qualquer coisa, e se arremeteria pra cima da mulher. Pronto! Estava garantida a reprodução humana. Nos animais também funciona mais ou menos assim.

  O inventor, porém, errou na dose, botando tempero demais no macho. Na mulher, ele acertou. Elas são mais controladas. A maioria só faz sexo com amor e apenas quando sente uma tesão quase incontrolável. É quando estão férteis. Os homens, coitados, pensam em sexo vinte e quatro horas por dia, todos os dias. E nem todas as educações familiares, conselhos, leis rígidas, penas severas e religiões ortodoxas conseguem sempre fazê-lo controlar esse desejo.

  Então mundo ficou, assim, cheio de problemas. Traições; infidelidades; crimes passionais; estupros; pedofilia; famílias miseráveis cheias de filhos; meninas, crianças ainda, com gravidez precoce; e o diabo-a-quatro. Até as crianças, que não eram dotadas de instinto sexual, e só queriam brincar, agora, em virtude das novelas, filmes e, principalmente, a Internet, já pensam "naquilo". Na mais tenra idade já querem beijar na boca e, logo em seguida, transar. Ninguém mais quer ser "BV" (beijo virgem) e quase todas querem antecipar a "sua primeira vez".


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