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Luiz Llantada

Crônica

27 Abril 2018 08:00:00

Hermenêutica

  Um grande problema que existe na comunicação entre pessoas é a dificuldade de uma interpretar o que a outra está dizendo. Não só através da fala, como da escrita ou de uma imagem qualquer. Exemplo: uma palavra pode ter vários significados. Por exemplo: "casa" pode ser uma moradia, uma abertura na roupa onde passa um botão, ou um tempo do verbo casar. No sentido figurado ela também pode ter outros significados, como um "lugar" ou uma "empresa". Imagina agora quando se utiliza várias palavras e frases para se expressar uma ideia.

  Às vezes quem dialoga, discursa ou escreve está querendo expressar um pensamento e o interlocutor ou o público alvo entende outro. Os antigos já se preocupavam muito com isso. Tanto que os gregos, sempre sábios, inventaram a ciência da interpretação, a qual denominaram de "Hermeneutiké", que veio ser a nossa "Hermenêutica". Os gregos eram mestres na dialética, retórica e eloquência. Essa ciência era para eles de extrema importância. Ela também foi muito utilizada pelos romanos, em especial, pela Igreja Católica, para interpretar e divulgar a Bíblia. Hoje em dia ela é de extrema utilidade e necessidade na área jurídica.

O erro de interpretação já causou muitos problemas. Guerras, crimes, agressões, inimizades, desavenças nas famílias, e separações de casais poderiam ser evitadas, se as pessoas tivessem se entendido melhor. Às vezes uma palavra mal interpretada se transforma numa faísca que deflagra uma explosão. Quem fala em rádio ou escreve em jornal, como eu, seguidamente enfrenta este tipo de problema. Vez que outra acontece comigo de alguma pessoa me interpretar mal, ou eu é que não fui claro, ou então, ela comete o erro de "pegar a parte pelo todo"; isola uma palavra ou uma frase dentro do texto maior e perde o sentido do todo.

Quando a pessoa que não nos entendeu se manifesta de forma educada expondo suas razões, tudo fica muito fácil. Ou, até mesmo, alguém que discorda de nós expressa a sua discordância de forma civilizada, trazendo argumentos, isso nos enriquece, pois aprendemos com ela. Ou notamos, de pronto, que ela ou não nos interpretou corretamente, ou nós nos expressamos mal.

Escrever ou falar em público é algo muito arriscado. O escritor ou orador precisa ter o cuidado de se expressar de forma clara. Quando a gente escreve ou fala para um público específico; advogados, médicos, professores, pedreiros ou outro qualquer, as coisas ficam mais fáceis, pois esses segmentos já trazem consigo um conhecimento prévio daquilo que se vai falar.

A "porca torce o rabo" quando a gente se dirige a um público difuso, heterogêneo; das mais variadas culturas, profissões e graus de conhecimento, como em jornais, rádios, televisão e no Facebook. Nessas situações é preciso ter-se conhecimento do que se diz e habilidade de como fazê-lo. Ah! E coragem.


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