Luiz Llantada

Crônica

20 Julho 2018 08:00:00

Crise de desilusão

 Um fenômeno vem acontecendo dentro de muitas famílias nos dias de hoje. Ocorre o seguinte: algumas pessoas vêm levando uma vida normal, atendendo os seus compromissos com regularidade e naturalidade e, de repente, caem num período de total indiferença com tudo, seja com a família, com os estudos, com o trabalho e até com o lazer.

 A coisa funciona mais ou menos assim. Num determinado dia o indivíduo simplesmente não levanta da cama. Ou, se levanta, não sai do quarto. Fica em casa. Nem dormindo e nem acordado. Apenas se recusa em ir à escola, ao trabalho ou outro compromisso qualquer. Os parentes mais chegados, surpresos e preocupados com essa atitude, de pronto, perguntam o que está havendo. E esta pessoa, apática, responde com desinteresse: "nada".

 Pode ser depressão, e depressão é doença, que tem que ser tratada com psicólogo ou médico psiquiatra. Mas, às vezes, o que está acontecendo é apenas uma pré-depressão. Um momento de desilusão. O indivíduo entrou num estado de apatia, em virtude de haver, num determinado momento do seu dia-a-dia sofrido um abalo emocional, ou uma grande constatação de que algo não está certo com ele, ou achar que a vida dele não faz sentido.

 A preocupação que causa nos entes queridos mais chegados, tais como cônjuge, pais, avós ou irmãos é terrível. Quando uma pessoa tem um problema de saúde, às vezes até grave, por si só, já é motivo de muita preocupação para quem a ama. Acontece, porém, que uma doença identificada, em que pese cause preocupação, esta não é tão intensa, porque os responsáveis correm atrás das providências cabíveis. Mas a simples indiferença, a apatia, o desinteresse pela vida atormenta os que amam este indivíduo, porque sempre se teme o pior.

 No caso da depressão, se não for procurado o tratamento médico adequado, é muito provável que uma tragédia irá acontecer. Mas o estágio a que estou me referindo, o indivíduo ainda não está depressivo, porque ele demonstra lucidez. Apenas diz que não há nada, e não se interessa por nada. Quem nunca enfrentou uma situação dessas, pode até achar que eu estou falando bobagem. Eu, porém, tenho visto muitos casos semelhantes ao que estou comentando. Inclusive algumas pessoas têm me procurado, pedindo-me ajuda, no sentido de que eu converse com esse seu ente querido, o que não tenho me negado.

 Às vezes o problema não é tão grave assim. Pode acontecer de a pessoa ter realmente achado que a vida que está levando não faz sentido, mas, por uma razão qualquer, seja medo, respeito exagerado, ou receio de parecer ridícula, não se abre com pessoas de sua intimidade, mas, quem sabe, poderá fazê-lo com um estranho. Este pode ser qualquer pessoa bem intencionada, inteligente, com boa experiência de vida e de boa fé. Um padre? Um pastor evangélico? Um espírita? Por que não? Tudo vale e tudo deve ser tentado, o que não se pode jamais é abandonar essa pessoa.


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