Luiz Llantada

Crônica

27 Julho 2018 08:00:00

A eterna busca da felicidade

  Já perdi as contas das vezes que escrevi e falei sobre felicidade. Mas não me canso. Eu entendo que a maior razão de vivermos é ser feliz. Ela nada mais é do que a sensação de nos sentirmos bem. E quando é que nos sentimos bem? Quando satisfazemos nossos desejos. Fácil, não? Fácil o cacete!

                    O problema é que nunca estamos satisfeitos. Tudo consiste em quê, quando conseguimos satisfazer um desejo, logo surge outro. É da natureza humana estarmos sempre em busca de algo novo. Às vezes nem sabemos bem o que é. Mas queremos. Enquanto não o conseguimos, vamos ficando cada vez mais angustiados, irritados ou tristes. E isso nos faz mal. Faz-nos sofrer. Aqui reside o âmago da questão. Mas não nos esqueçamos de que temos inteligência.

  Precisamos definir bem quais são os nossos objetivos, e estabelecermos claramente quais são as nossas prioridades. É de suma importância sabermos distinguir com nitidez o que está ao nosso alcance e o que não está. Ou seja, dentro das nossas possibilidades. Assim, quem sabe, alcançaremos a felicidade ante a certeza de que temos, ou poderemos ter, o que está ao nosso alcance, ou, inversamente, nos conformarmos, com serenidade, pela convicção de que não podemos ter o impossível.

                    Um exemplo: suponhamos que alguém gostaria imensamente, como eu, de voar como um pássaro. Um pensamento infantil? Claro. Mas trago-o sempre comigo. Isso, porém, não me faz infeliz, eis que, pelo conhecimento que tenho, sei que não posso voar. Então me contento em caminhar... Observar a natureza, as pessoas e admirar o voo dos pássaros... Com seus alaridos.

  Um indivíduo poderá ser feliz, quem sabe, se tiver inteligência para distinguir que algumas coisas, e até pessoas, ele pode ter, outras não. Quando alguém sofre desesperadamente para ter algo ou alguém que está além das suas forças, ou que não lhe ama com a mesma intensidade, isso não é mais desejo, sonho, amor e sequer paixão, mas sim obsessão. E obsessão é doença, que não só causa sofrimento, como pode levar o indivíduo a cometer atitudes extremas, que lhe irão causar sofrimentos maiores. Para si e para as pessoas que lhe amam.

  A felicidade plena e constante não existe. Sempre haverá momentos tristes e perdas em nossas vidas, porque somos criaturas frágeis. Só o que podemos fazer é procurarmos ser felizes com o que podemos ter e conformarmo-nos com o que não podemos. A escola filosófica grega, denominada estóica, tinha como essência não ter desejos, amores e nem paixões. Enfim, não ter apego por nada, pois eles entendiam que a felicidade não estava nesta vida, mas noutra. Não é o que as religiões pregam? Acho que dá pra adotar essa filosofia em parte. Mas não toda. Afinal, quem tem nervos de aço?


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