Luiz Llantada

Crônica

24 Agosto 2018 08:00:00

A ditadura dos politicamente corretos

 De tempos em tempos aparece uma praga, sem saber-se de onde vem. Uma calamidade, uma abundância de coisas nocivas ou desagradáveis que vêm para causar danos à humanidade. Às vezes graves, outras só para encher o nosso saco. A mais famosa e maléfica de todas foi, sem dúvida, a "peste negra", na Idade Média. Cito também a Gripe Espanhola, surgida ao final da I Guerra Mundial (1918). Não menos famosa eram as "pragas de gafanhotos", que dizimavam plantações, desde os tempos bíblicos. Agora surgiu a praga dos "politicamente corretos".

 Pragas, além de outros significados, são coisas ruins que acontecem por um determinado tempo, causam danos e desaparecem por um motivo ou outro. No primeiro parágrafo eu citei algumas pragas naturais. Há também as humanas, como "Átila, o Rei dos hunos", por exemplo, foi uma praga que causou muitos e graves danos à Europa, no Século V d.C. Aliás, seu apelido era a "Praga de Deus". Mais recente, foi Hitler com a sua filosofia nazista, no século passado.

 Mas eu quero me referir hoje a algumas pragas mais amenas, mas que incomodam pra burro. Por exemplo, a praga dos aparelhos de som potentes, instalados em automóveis e que passam por nós, todos os dias, reproduzindo barulhos, ruídos e sons de péssimo gosto, a todo volume, que alguns psicopatas chamam de música. Agora, meu irmãozinho, vou te falar de uma que age quase imperceptivelmente, mas que é chato pra burro: a praga dos "politicamente corretos". Sabes quem são eles? Já te digo. São pessoas que pensam que estão agradando, mas que, por serem radicais no que pensam e fazem, causam mais malefício do que benefício. Vem comigo que vou te mostrar.

Há os que defendem a liberdade sexual. Até aí tudo bem. Mas querer proibir-nos de chamar os homossexuais de "gays", "lésbicas" ou outros termos populares é dose. Tem que ser "homoafetivos". Bem, sendo assim, talvez queiram também que não chamemos os machos de "homens" e as fêmeas de "mulheres". Há de ser só "heterossexuais"? "Negro" não é mais negro, tem que ser "afrodescendente". Ah! Então "alemão" ou "branco" agora é "germano descendente"? Os "eco-chatos", por sua vez, não querem que usemos sacolas plásticas dos supermercados para pormos lixo. Bem, vamos colocá-los onde, e como se, por enquanto não há alternativa? Mas não é um saco?

É proibido menor de idade trabalhar. Mas roubar, matar, estuprar e traficar drogas pode. Claro, pois nada disso para eles é crime. Tu viste o que quiseram fazer recentemente com algumas obras de Monteiro Lobato? Proibi-las nas escolas, ou então que sejam adaptadas, para disfarçar o "racismo" contido nelas. Mas que racismo? Nunca ninguém viu nada disso nelas. O que há é uma linguagem típica dos usos e costumes de uma época; primeira metade do século passado. Todos nós queremos um mundo melhor, é claro. Gente! Vamos tomar um "chá de se mancol". Menos hipocrisia. Deixemos a vida correr solta e leve... Como um rio. Não podemos querer impor a nossa maneira de ser e de pensar.


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