Crônica

06 Setembro 2018 08:00:00

Não é preciso ser inteligente para saber-se que o regime político ideal é a Democracia, com a sua livre iniciativa e a liberdade do cidadão. É o melhor para se viver, claro. Mas ela só é possível enquanto houver comida, saúde, educação, conforto e segurança para a maioria. Essas coisas só se obtêm com o trabalho. E trabalho, haverá sempre para todos? Do jeito que as coisas vão, no meu entender, no futuro existirá apenas para poucos. Aí é que a porca torce o rabo.

  Todos já ouvimos falar em informatização, automação, centralização de serviços, ou "self service", o quê na língua tupiniquim significa "servir a si mesmo". Tudo isso, que é muito moderninho e bonitinho para alguns, a mim apavora. Para quem não sabe, e muita gente talvez não saiba, esses termos representam simplesmente desemprego, ou seja, a substituição do homem pela máquina. Os bancos, as indústrias, as empresas em geral, públicas ou privadas, enfim, onde quer que haja mão-de-obra humana, já as estão substituindo numa velocidade vertiginosa pela tecnologia.

  Os computadores e as máquinas ficam cada vez mais sofisticados. Eles já fazem coisas fantásticas, e outras melhores e inimagináveis virão. Atualmente já se constata de forma concreta que o alto grau de eficiência atingido pela tecnologia substitui o homem, como é o caso do automóvel sem motorista. Pior ainda é que substitui até mesmo pessoas com alto grau de conhecimento. Assim, não são apenas os indivíduos sem mão-de-obra qualificada que perderão ou não encontrarão empregos.

  Máquinas mais sofisticadas substituem dia a dia não só o elemento humano como às próprias máquinas que vão ficando ultrapassadas. A rigor, raras profissões, que por suas características especiais, são insubstituíveis, permanecerão. Hoje no Brasil e no resto do mundo existem milhões, talvez bilhões, de pessoas analfabetas e semianalfabetas. Eu pergunto: o que farão essas pessoas? Temos consciência de que é impossível alfabetizar e treinar toda essa gente, já que o ensino público, e até parte do privado, se torna cada vez mais precário.

  Vemos a cada minuto o estado abandonando as mais diversas atividades, privilegiando as privatizações, onde tudo é pago. Nas próprias estradas, que no meu entender é o que há de mais público no universo, cobra-se para circular (pedágio). O que nos restará dentro de pouco que não seja pago?

  Quem vai segurar essa horda de ignorantes, famintos e miseráveis que aumenta a cada dia, hein? Vejam o caso dos imigrantes. Se não teremos emprego nem para quem domina o conhecimento? É por isso meus amiguinhos que as nações ditas civilizadas armam-se mais e melhor a cada dia e fecham suas fronteiras. Num futuro não muito distante, ou os estados sustentarão os seus cidadãos ou terão que eliminá-los como moscas.



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