Crônica

21 Setembro 2018 09:00:00

Está faltando ternura

  Na qualidade de E.T. eu tenho como missão observar o comportamento de vocês terráqueos. Saibam, portanto, que não sou um simples fofoqueiro, que vive bisbilhotando a vida dos outros. Não. Nada disso. Eu os observo como objeto de estudo. Faço relatórios e os envio para o meu Planeta. Trata-se de uma pesquisa bem abrangente, aprofundada, que envolve o comportamento humano como um todo, no curso da história. O que os cientistas chamam de antropologia.

  Dentre as infinitas formas de vocês pensarem e agir, intriga-nos muito os seus conflitos. Constatamos que eles acontecem em virtude da divergência de ideias. Cada um de vocês quer ter razão e que a sua razão prevaleça. Esta é a causa de todos os desentendimentos. Notamos que pessoas que tinham entre si uma grande paixão ou um grande amor, de uma hora para outra, de um pequeno desentendimento permitiram que explodisse entre si uma briga, uma agressão, que culmina numa aversão recíproca. Então eu fico pensando... Como é que um sentimento tão forte e tão bonito foi acabar em ódio? Depois de muitas elucubrações, cheguei à conclusão de que esses conflitos ocorrem mais entre pessoas que já se amaram ou se apaixonaram intensamente. Elas valorizaram demais os sentimentos arrebatadores, porém, esqueceram-se de valorizar os sentimos meigos... Suaves.

  É claro que é maravilhoso a pessoa sentir uma paixão, um grande amor. Mais maravilhoso ainda quando se é correspondido. Estes sentimentos sempre vêm revestidos de uma forte atração sexual. Uma tesão insaciável e recíproca. O que é ótimo. Mas não é o essencial. Aqui reside o âmago da questão. Alguém mais afoito perguntaria: - Como não é essencial? Ao que eu responderia: - Observa as fortes tempestades. Como elas são avassaladoras, porém, como terminam rápido. Ao passo quê, aquela garoa fina é constante. Demora a cessar. E quando a gente pensa que ela cessou... Ela volta.

  As grandes paixões são como as tempestades. É bom tê-las, é claro, mas não podemos desprezar os sentimentos mais delicados, doces, os quais devemos cultivar intensamente entre as tempestades de paixão. É aqui que entra a ternura. Aquele sentimento meigo, afetuoso, brando, aquela vontade incontida de estar junto. Aquele prazer imenso de dar carinho. De afagar. A alegria de proteger um ao outro. De enxugar lágrimas com beijos inocentes. Rirem juntos... De tudo ou de nada.

Se agires assim, estarás efetivamente vivendo um grande amor, uma paixão. Importante não só vivê-los, mas conservá-los. Encontrar prazer não só no sexo, como também nos momentos mais simples da vida. A ternura nos faz tratar um ao outro como crianças. E o que a gente mais costuma fazer com as crianças? Senão perdoá-las de suas travessuras? Assim, se aprendermos a nos perdoar mais, a nos aceitar mais, a nos cobrar menos, certamente teremos mais amor e mais momentos felizes. Quem sabe até evitar todo o sofrimento que uma separação sempre causa?


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