Luiz Llantada

Crônica Angústia de uma saudade

30 Março 2018 08:00:00

Angústia de uma saudade

  Dizem que a palavra "saudade" só existe na língua portuguesa, e que não há em nenhuma outra um vocábulo específico que tenha o significado que ela tem para nós lusófonos. Pode não existir a palavra apropriada, com este mesmo sentido noutros idiomas, mas é certo que em qualquer parte do Mundo a grande maioria das pessoas sentem saudades.

  Para não dar o trabalho ao meu raro e paciente leitor de ir agora ao dicionário, refresco sua memória trazendo aqui a essência do seu significado: "1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia. 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido".

                   Ditas assim, rigorosamente dentro da técnica gramatical, as palavras soam frias, vazias, não expressam com nitidez os sentimentos humanos. O que eu posso te dizer, leitor, é que a saudade dói... E muito. Não é uma dor aguda, passageira. Não. Ela é como aquele fogo das brasas que ardem sob as cinzas; jamais se transforma em labareda, porém, nunca se apaga. Saudade é uma emoção, um sentimento. Seu grau de intensidade dependerá da sensibilidade de cada um. As emoções e os sentimentos estão no cérebro, mas os poetas gostam de dizer que estão no coração, por causa da reação biológica, alteração do batimento cardíaco que causa.

  Nem todas as pessoas são sentimentais. Algumas até são bastante insensíveis. Para estas, a tristeza que alguém sente e as lágrimas que ela derrama são incompreensíveis, inaceitáveis ou ridículas. Às vezes chegam a dizer que não passa de coisa de adolescente ou de gente fraca. As pessoas que pensam assim são os chamados "durões", os quais, às vezes, invejo.

                     Estes que acabei de citar se descartam de pessoas, animais ou coisas, ou mudam de ambientes e lugares com extrema facilidade. Não sofrem. Eu não! Muito pelo contrário, meu coração é uma manteiga derretida. Me apego demais às pessoas, às coisas e aos lugares. Quando me afasto muito de quem e daquilo que gosto, as lágrimas me vêm com uma facilidade que me espanta. Muitas vezes me escondo pelos cantos para não me verem chorar.

  Nas raras vezes em que me vi longe das pessoas e das coisas que amo, além do limite suportável para mim, fiz um grande esforço para não largar tudo e voltar. Venci, mas com sofrimento. Quando se é jovem tem que se fazer isto, hoje, porém, evito essas situações. Viajo pouco, ou nada. Privo-me de conhecer outras pessoas e novos lugares. É que chega uma fase da nossa vida que parece que o coração vai rebentar, se a gente não vê o brilho dum olhar, não ouve a doçura duma voz e não mais consegue olhar para um cenário querido.


Imagens

logo.jpg

Endereço:
Rua Manoel Teixeira da Rosa, 495
Centro - Sombrio
Fone (48) 3533 0178