Crônica, Luiz LLantada

28 Dezembro 2018 10:06:00

Eu acredito em Papai Noel

 Sempre que chegam esses dias de festas de Natal e de Fim-de-ano, eu fico mais sensível. Eu não consigo evitar, e não quero. Sou consciente de que tenho um coração de manteiga derretida e gosto disso. Me faz bem. Grande coisa se alguém me flagrar emocionado ao ouvir a Simone cantar "Então é Natal". Ou, então, cometendo outras infantilidades. Esses que me acham ridículo sabem da minha infância? Sabem das lembranças e das saudades que trago no coração?

 Eu respeito, mas não invejo, pessoas frias, pragmáticas, que dizem com desdém, que todo esse cenário de luzes, cores e músicas é uma farsa. Que não passa de um lance de "marketing" do comércio, para vender mais. Eu não digo isso e não penso. Quero mais é ser enganado. Ouço pais dizerem que não iludirão seus filhos com a figura do Papai Noel... E me entristeço. Que pena me dá dessas crianças que estão sendo privadas do mundo dos sonhos, ilusões e fantasias, desde a mais tenra idade. Como exigir no futuro que venham ter sensibilidade, piedade e compaixão de quem sofre? Ou amor ao próximo? Se foram educadas apenas para encarar a dura realidade da vida?

 Nada me faz tanto mal do que ver tragédias de acidentes de trânsito ou atos de violência nesta época do ano. Eu fico arrasado, imaginando como será o Natal dessas pessoas? Também não consigo entender como é que pode casais, parentes ou amigos brigarem e se agredirem num momento tão delicado. Como pode alguém tirar a alegria do seu semelhante por coisas, às vezes, banais? No meu trabalho eu já vi muita gente chorar nessas situações, muitas das quais poderiam ter sido facilmente evitadas. Nesta época do ano, porém, nunca consegui ser tão profissional. Me esforçava pra não chorar junto. O quê nem sempre conseguia.

 Eu não me perdoaria jamais, nem esperaria perdão, se eu soubesse que magoei alguém, se feri alguém, propositalmente, em qualquer momento da minha vida, mais ainda, se acontecesse num destes dias sublimes, em que todos buscamos a felicidade.

Nós humanos somos frágeis. Nada sabemos da vida. Enganamos a nós próprios, procurando demonstrar uma segurança que não temos. No fundo, somos crianças desamparadas que viajam em velocidade vertiginosa pelo infinito do Cosmos, sem sabermos qual é o nosso destino. Então para que ser tão adulto, o tempo todo?

 Esses sentimentos se me abatem nesta época do ano, porque eu me lembro muito da figura de Jesus. Não por achar que ele seja filho de Deus, eis que disso eu não tenho certeza. E pouco me importa. Mas sim pela mensagem de amor, humildade e, principalmente, de fragilidade que ele nos deixou. Eu me comovo profundamente quando lembro da frase dele: "Pai, por que me abandonaste?" Ali, naquele momento ele não passava de uma frágil criança, abandonada a própria sorte. Assim, por favor, finge que não notou, se me veres chorar.


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