Crônica, por Luiz Llantada

01 Novembro 2018 13:26:00

Terremoto de Lisboa, em 1755

  Afinal de contas, Deus existe? Ele é bom, mau ou indiferente? A pessoa inteligente, e que não tem medo de pensar por si própria, questiona sobre este assunto. É necessário, porém, termos consciência de que não é pecado pensar, senão não teríamos inteligência. O maior debate havido sobre este assunto na história da humanidade ocorreu logo após o terrível terremoto de Lisboa, em 1755.

  No dia 01 de novembro de 1755, "Dia de Todos os Santos", feriado religioso, às 09:30 horas, grande parte da população estava nas igrejas, já que Portugal era considerado o país mais católico da Terra, quando Lisboa foi atingida pelo terremoto mais destrutivo havido na Europa. A população, aterrorizada, fugindo dos desabamentos, correu para a beira-mar e para as margens do rio Tejo, quando viram destroços de navios destruídos, expostos pelo recuo das águas. Veio então a segunda parte da catástrofe. Um gigantesco Tsunami, com ondas de 10 a 20 metros se abateu de encontro ao continente. A seguir um grande incêndio fez Lisboa arder por cinco dias. Estima-se que de 10.000 a 30.000 pessoas morreram.

  Naquela época o mundo ocidental, especialmente a Europa, era extremamente religioso. As principais religiões eram o Catolicismo e o Protestantismo, de Martinho Lutero, surgido em 1517. Predominava a Monarquia, através dos reis absolutistas, que eram apoiados pelo Clero. Portugal vivia na maior riqueza e fartura, graças às grandes navegações e ao ouro e pedras preciosas levados do Brasil. Acreditavam que a generosidade de Deus, que era tão bondoso para com eles, é porque eram religiosos. Essa ideia sustentava o poder da monarquia e da igreja.

  Naqueles tempos eclodiu na Europa uma corrente de pensamento fantástica, denominada Iluminismo, da qual eu sou adepto, liderada por filósofos tais como Voltaire, Kant, Rousseau, John Locke e tantos outros. Esses homens inteligentíssimos, e que não tinham medo de pensar, notaram que havia muita riqueza e fartura, porém, simultaneamente, havia muita pobreza, doenças, guerras, maldade e catástrofes de toda ordem como, por exemplo, o Terremoto aqui referido.

  Os Iluministas refletiram, sem medo, sobre a figura de Deus. Porra! Se Ele existia e era bom, por que acontecia tanto sofrimento? Inclusive em países religiosos? Estes diziam que era castigo de Deus. Mas castigo de quê. Que pecados tinham cometido as criancinhas e as pessoas inocentes? Surgiu então um novo pensamento: "O homem é a prioridade do Universo, e não Deus". O objetivo maior do homem é ser feliz. Deuses e religiões podem ser cultuados por quem quiser. Mas em seus templos. E não imiscuir-se no governo civil, que deveria ser laico e seus governantes eleitos pelo povo, com a divisão independente e harmoniosa dos poderes.


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