Crônica, por Luiz Llantada

07 Dezembro 2018 16:33:00

Dom Quixote

Muita gente ouve falar em Dom Quixote, mas nem imagina quem foi ele. Pois bem, "Dom Quixote" é o personagem de um romance, um livro, escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes, em 1600 d.C. Uma obra com mais de mil páginas. Eu a li duas vezes e pretendo ler mais. Não! Não fujas daqui. Prometo que não vou te encher o saco com uma prepotente aula de literatura, pois não estou credenciado a tanto. Fica! Quero falar-te é de pessoas sonhadoras.

Dom Quixote é um personagem fictício, claro. Seu criador moldou-o usando a realidade de uma época. Ele o descreveu como um assíduo leitor de romances de "Cavalaria", de grande sucesso na Idade Média (476/1453 d.C.). Essas obras narravam aventuras de nobres cavaleiros. Homens dotados de muita coragem, honra, lealdade, elevado espírito de justiça... E românticos.

Como toda obra de ficção, os romances de Cavalaria eram frutos da imaginação de seus autores. Todo o escritor busca mesclar imaginação com realidade, dando ênfase à fantasia, para tornar a narrativa mais atraente. A imaginação, porém, tem que ficar próxima da realidade, não podendo se afastar muito dela, sob pena de perder um dos principais requisitos da boa narrativa, que tão bem prende a atenção do leitor: a verossimilhança.

Os escritores daquele tempo abusavam da imaginação e narravam os atos de heroísmo com exagero, acima da força humana. Algo que nem uma criança acreditaria. Mas D. Quixote, ingênuo, acreditou. Até porque sua mente era um misto de lucidez e loucura. Coisas, aliás, que todos nós temos um pouco. Influenciado pelos contos de Cavalaria, ele passou a viver como um cavaleiro dos romances que lia. Misturou realidade com fantasia e saiu pelo mundo, montado em seu cavalo "Rocinante", acompanhado de seu fiel escudeiro Sancho Pança. Metendo-se em mil trapalhadas.

Antes de rires e ridicularizares o fidalgo espanhol, não te esqueças que todos nós somos um pouco quixotescos. Às vezes, vivemos num mesmo dia, momentos de pura realidade (pés no chão), alternados com sonhos, emoções, desejos e algumas pitadas de loucura, influenciados por livros, novelas, filmes ou pela história da vida real de alguém que muito admiramos.

Quantas vezes já nos arrependemos por havermos exagerado num ou noutro desses momentos, hein? Eu sei que existem pessoas controladas, ponderadas, que conseguem refrear seus sentimentos, sonhos, instintos e loucuras, mantendo-se quase sempre no mundo real. Respeito-as, mas não as invejo. Eu não sou assim. Acho a realidade muito fria, cruel, difícil demais para mim. Às vezes, como uma criança, me sinto frágil, triste e cheio de medos. Quando isso me acontece fujo para o mundo mágico da minha imaginação e dos meus sonhos. E deixo eles voarem pelo infinito. Não tenho medo de, vez que outra, cometer algumas loucuras. Porque, afinal, eu sou meio D. Quixote.


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