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05-01-2018

Gambás e gatos

05 Janeiro 2018 00:00:00

Uma vez eu tive um grave conflito com um gambá que invadiu o sótão da minha casa. Refiro-me a um animal mesmo, e não a uma pessoa que bebesse demais. Eu não trataria ninguém de maneira tão desrespeitosa, uma vez que eu não sou muito diferente destes. Talvez só o que nos distinga seja a quantidade ingerida. Eu precisava me desfazer do bichinho, porque ele exalava odores desagradáveis e fazia muita bagunça e barulho nas madrugadas.

A minha mulher não aguentaria dois gambás na mesma casa. Um de nós tinha que sair. Como o bichinho não se prontificou, apelei para especialistas da área. Um vizinho achou que a solução seria matá-lo. De pronto não concordei. Seria um recurso extremo. Achei outra pessoa, mais diplomática, que usou o recurso de uma armadilha, muito comum no meio rural. Acertado o preço e a estratégia de ação, ele desalojou o gambá e reintegrou-me na posse. Levamos o animalzinho vivo e são de lombo para o seu hábitat natural. Ufah!

Pensei que os meus problemas estavam resolvidos. Ledo engano. Como dizia Luís de Camões: "Onde pode esconder-se um fraco humano, onde terá segura a curta vida, que não se arme e se indigne o céu sereno, contra um bicho da terra tão pequeno?" Neste caso o "bicho" era eu. Pois não é quê, num outro dia um gato invadiu a minha casa? Caralho!

As portas da área de serviço estavam abertas e por elas o felino adentrou sorrateiramente. Mas sua posse viciada foi flagrada. O esbulho foi constatado pelo meu neto Iago. Quando ele entrou naquele recinto fatídico, deparou-se com o gato. Tratou logo de proteger a família, fazendo uso da legítima defesa, coisa que a lei permite. Não obteve êxito. O gato assustou-se e saiu em tresloucada fuga. Correu de encontro a uma porta envidraçada, fechada, e teve um impacto violento. O mesmo ocorreu em relação a uma janela, onde teve o segundo impacto. Assustado e com dores, o bichano não tinha condições de administrar a situação com racionalidade. Se é que alguma vez teve. Assim, pulou para cima da máquina de lavar roupas, que estava com a tampa aberta e nela refugiou-se. Pronto! Estava formado mais um impasse.

Não deixei ninguém tocar nele, pois estava em pânico e agressivo. Tentei persuadi-lo a sair por meios pacíficos. Iniciei a negociação. Dei-lhe um prazo para se retirar. Mas ele não saiu. Esgotados os meios diplomáticos, só restou a força. "Quando a toga não resolve, usa-se a espada!" O exército seria uma força desproporcional. A polícia estava fora de cogitação, pois também usa armas. Eu queria evitar um confronto armado. Chamei o Corpo de Bombeiros. Vieram três "soldados do fogo", preparados e equipados. Expulsaram o inimigo. Agora estou preparado até contra ataques aéreos (morcegos, marimbondos, pássaros e afins). Sigo o lema dos romanos: "Si vis pacem para bellum".


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