Luiz Llantada

Sobre armas de fogo

18 Maio 2018 08:00:00

             Sobre armas de fogo

  Não se estarreça, meu raro e paciente leitor, mas o brinquedo que mais me fascinou quando criança não foi uma bola, nem um carrinho, nem uma bicicleta, mas sim um revólver. Era uma questão cultural. Na minha mais tenra infância acostumei-me a ver, em Rosário do Sul e em São Gabriel, ambas no Rio Grande do Sul, os homens andarem pelas ruas da cidade portando armas à cintura.

  Iniciei-me na literatura através das revistas em quadrinhos, as quais chamávamos de "gibis". As minhas histórias preferidas sempre foram as de "mocinho", ou "bang-bang", o que para nós queria dizer dramas relacionados com conflitos armados durante a colonização do oeste norte-americano. Ainda muito criança comecei a ir ao cinema e os meus filmes prediletos, como não poderia deixar de ser, sempre trataram desse tema. Aliás, até hoje, são os meus preferidos.

  Como soldado do exército servi no Depósito de Armamento e Munições, em 1964, em Porto Alegre, onde convivi com tudo que é tipo de armas. Adorei. E mais, durante dez anos fui Fiscal do Banco do Brasil, o que me obrigava a viajar constantemente pelo interior, em estradas desertas, às vezes à noite, e cuidando de assuntos bastante delicados, como o famigerado "adubo-papel", o que me obrigava a portar arma. Felizmente nunca a usei, mas sempre a trazia comigo. Em alguns raros momentos eu a tive na mão, dentro do bolso da jaqueta, pronto a usá-la.

  Nunca carreguei arma comigo passeando, frequentando ambientes públicos ou andando por ruas de cidades durante o dia. Disse tudo isso para que saibas que sempre gostei de armas e sou bastante familiarizado com elas. Fiz coisas erradas na minha vida, mas nunca as utilizando. E sempre mantive a calma em conflitos do cotidiano como, por exemplo, os de trânsito.

  Hoje, cogita-se no Brasil em instituir-se uma lei que flexibilize ao cidadão portar armas de fogo. Acho justo. Dou minha opinião esperando não ser mal entendido. É claro que deve ser proibido seu porte nas ruas e em lugares públicos. Salvo em casos especiais de iminente risco. Afinal, a legítima defesa é um direito natural, antes de jurídico. Quanto a tê-las em casa a flexibilização deve ser maior, para proteção de nossas famílias e de nossos bens. Aí, vai de cada pessoa.

  Se vivêssemos num país com distribuição de renda mais justa, fôssemos um povo mais educado e espiritualizado, se nossa polícia fosse melhor preparada e aparelhada, as armas seriam desnecessárias. Mas não é assim. Ainda vivemos numa selva, em meio a uma verdadeira guerra civil. Os bandidos carregam consigo armas mais sofisticadas do que a polícia.

  Diante desse quadro caótico, não se pode proibir ao cidadão ter uma arma. Deve-se, isto sim, disciplinar ao máximo a sua aquisição e uso. Depois, é deixar ao livre arbítrio de cada um. Quem se sentir seguro com uma, tiver certeza de que sabe usá-la e que está emocionalmente preparado não há porque não ter. Mesmo porquê, quem quiser realmente matar alguém, ou se matar, fará isso de qualquer forma.


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